Antes de tudo, Genova. Existe um compositor, um trovador, que morreu há 10 anos. Se chamava Fabrizio De André, e era genovês. Numa comparação porca, ele era o Chico Buarque dos italianos: falou sobre ditadura, amor, guerra, morte. Criou personagens baseado na astrologia e no tarot. Suas canções são contos, como os de Renato Russo. Mas enfim, fui a uma exposição muito bem produzida (mas com falhas de curiadoria), com vários recursos interativos e multimidiaticos, contado sua longa tragetória. Ele cantou em italiano, genovês, espanhol, romeno e até um pouco de portugues (na música Princesa, que fala de um transexual brasileiro), sempre com letras bem poéticas, trabalhadas.Baseado em tudo que vi de De André escrevi esse mini-conto, sobre uma famosa rua de Genova, que ficou conhecida devido à uma musica dele.
"Um dia acordou e percebeu que estava dormindo. Era a via del campo e ninguém se apresentou para explicar a origem do mundo. O chão molhado, refletia o único raio de sol da manhã a penetrar naquelas vielas mal-encaminhadas.
Num continuum alucinante uma máquina se aproxima. Ela varre tudo e todos, passando pelo pé de quem pensava em ser feliz. As bitucas de cigarros e as flores murchas e decompostas são espalhadas, depois de trituradas pelo mecanismo.
A via del campo leva ao beco da impossível saída. E a curiosidade o fez entrar, pensava não ter nada a perder e resolveu que já era hora. Às sete da manhã, após uma noite de luxúrias e maledicências, foi varrido do mundo. As rosas continuaram a ser vendidas. (Sempre as mesmas.)"
Bem, a via del campo em Genova é conhecida como a das prostitutas, dos seres noturnos, das pessoas esquecidas. Eu só entro nela de dia, acompanhada e a passos largos.
Hoje não falei contigo, ainda. Mas atualiza a lista de leituras... É tudo TCC...
ResponderExcluirLinda, linda...